Julius Caesar

CAIUS JULIUS CAESAR

A passagem dos séculos não diminuiu a grandeza associada ao nome de Caesar, símbolo da glória, do poder e do prestígio da Roma antiga. Na verdade, seu nome se tornou o título honorífico dos imperadores romanos e mais tarde deu origem a outros como Kaiser, em alemão, e czar, nas línguas eslavas. Caius Julius Caesar nasceu em 12 ou 13 de julho de 100 a.C. em Roma, numa importante família patrícia. Desde criança teve educação esmerada e logo se tornou bom conhecedor do grego e da gramática. Na época da guerra civil entre Caius Marius e Lucius Cornelius Sulla, Caesar casou-se com Cornelia, filha de um dos principais inimigos de Sulla - que então exercia o poder em Roma. Com essa união, Caesar atraiu a inimizade do ditador, que pretendeu obrigá-lo a repudiar a mulher. As constantes perseguições de que foi vítima o levaram a afastar-se da cidade, dirigindo-se para a Ásia em 82 a.C. Quando Sulla morreu, em 78 a.C., Caesar voltou à Itália e se interessou pela agitada atividade política de Roma, onde logo pôde demonstrar suas qualidades. Entusiasmado admirador de seu tio, o cônsul Caius Marius - inimigo de Sulla e de origem plebéia -, Caesar aprendeu com ele a conveniência de favorecer as classes plebéias. Roma era então dominada pelo partido dos aristocratas, mas Caesar, consciente de que seu futuro dependia do partido "popular", apoiou este último e se dedicou a atacar os senadores que se haviam alinhado com Sulla. O Senado e Pompeius se opuseram as suas acusações, o que, ao lado de dívidas contraídas, foi a razão de sua partida para Rodes, onde estudou oratória com o sábio Apolônio Molon. Em 74 a.C., o rei de Pontus, Mitridates VI, empreendeu a luta contra os aliados de Roma, e Caesar aproveitou a ocasião para ganhar popularidade. Organizou um exército e, depois de enfrentar Mitridates, foi nomeado tribuno militar. Durante o consulado de Pompeius e Marcus Licinius Crassus, Caesar contribuiu para abolir a constituição de Sulla, em colaboração com Pompeius, que modificara suas posições depois da morte do ditador. Os extraordinários dotes de Caesar como orador conquistaram o povo, que o auxiliou em sua ascensão política. Em 69 a.C. foi eleito questor e teve de mudar-se para a província da Hispânia Ulterior (posteriormente, Andaluzia e Portugal). Por essa época morreu sua mulher e ele se casou novamente, desta vez com Pompeia, parente distante de Pompeius. Em 65 a.C. foi nomeado edil curul, magistratura que lhe permitiu ganhar ainda maior prestígio, já que se empenhou no embelezamento da cidade de Roma. Optimates e populares mantinham nesse período um confronto permanente e os nobres temiam uma sublevação dos plebeus, cada vez mais empobrecidos. Caesar participou de diferentes conspirações políticas, como a organizada em favor da ditadura de Crassus ou a de Catilina, mas não chegou a ser acusado de nenhuma. Em 62 a.C. ganhou o cargo de pretor e, no ano seguinte, dirigiu-se à Hispânia Ulterior como propretor, o que lhe permitiu organizar seu próprio exército e conseguir importante butim de guerra. Em 60 a.C., voltou para Roma e, um ano depois, alcançou o cargo de cônsul. Durante a época do triunvirato que formou junto com Pompeius e Crassus, Caesar promulgou leis agrárias em favor dos soldados licenciados, exerceu forte controle sobre o Senado e realizou um bom governo nas províncias romanas. Entre 58 e 54 a.C., Julius Caesar dedicou-se à pacificação da Gália Cisalpina, o que lhe conferiu glória militar e maior poder, permitindo-lhe aumentar os efetivos de seu exército. Submeteu celtas, helvécios, belgas e germanos, venceu os gauleses chefiados por Vercingetórix e ainda realizou em 54 a.C. uma expedição à Britânia, futura Grã-Bretanha. Em Roma, a situação política e social piorava consideravelmente. Caesar foi ao encontro de Pompeius, procônsul na Hispânia em 55 a.C., para consolidar o triunvirato. Depois da morte de Crassus na Síria, em luta contra os partos, o único impedimento de Caesar para chegar ao poder máximo era o próprio Pompeius. Este se inclinou para a aristocracia, enquanto Caesar via diminuir seu prestígio em virtude do fracasso das campanhas na Britânia. Quando em 52 a.C. Pompeius foi nomeado cônsul, o Senado tentou reduzir o poder e a força de Caesar, mas este se mudou para a Gália Cisalpina a fim de estar mais perto de Roma. A oligarquia romana instigou Pompeius a atacar Caesar. Mais uma vez, contudo, a astúcia do genial estadista foi superior à dos adversários políticos. No comando de suas tropas, em 49 a.C. cruzou o rio Rubicão e dirigiu-se à capital, depois de pronunciar a famosa frase Alea jacta est (A sorte está lançada). Ante a iminente guerra civil, Roma tremeu. Depois de cruéis combates, Caesar dominou toda a península italiana e aniquilou as forças hispânicas de Pompeius. Este fugiu para a Grécia, mas Caesar o perseguiu e derrotou em Farsala, em 48 a.C. Com as forças arrasadas, Pompeius refugiou-se em território egípcio, onde foi assassinado. As lutas pelo trono do fértil Egito e a insegurança que isso trazia ao poder de Roma tornaram necessária a intervenção do próprio Caesar, que instalou Cleopatra no trono daquele país. Em 47 a.C., ele voltou à capital e aniquilou sem piedade os últimos partidários de Pompeius. Outorgou-se então o título de ditador e concentrou todo o poder possível em Roma. Podia escolher quaisquer tipos de funcionários públicos, decretar qualquer lei e, além disso, era o chefe máximo do exército. Reformou as instituições, conferiu maior celeridade à justiça, estimulou o crescimento econômico do estado, aperfeiçoou o governo das províncias e promoveu a celebração de festas para alegrar o povo. Além de notável estrategista e hábil político, Caesar foi homem de grande cultura, interessado pela lingüística e pela gramática, como atesta o tratado De analogia (Sobre a analogia), de que restam fragmentos. Valiosos documentos são suas obras principais, Commentarii de bello galico (51 a.C.; Comentários sobre a guerra aos gauleses) e Commentarii de bello civili (44 a.C.; Comentários sobre a guerra civil), redigidos em latim simples, mas expressivo. Orador eloqüente, mostrou-se também polemista vigoroso em Anticatones, orações contra Cicerus. Vítima de uma conspiração de que participaram alguns de seus antigos partidários, como Marcus Junius Brutus e Caius Cassius, republicanos que faziam oposição ao poder autocrático, Caesar morreu assassinado no edifício do Senado, em torno de 15 de março de 44 a.C.

Chefe gaulês, Vercingetorix, entregando suas armas à Julius Caesar.

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